12.12.2016
© Pojoslaw | Dreamstime.com

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Já escrevi sobre meus filhos em outras oportunidades. Tenho dois meninos, atualmente com 15 e 12 anos. Tenho sobrinhos e atendo outras crianças no consultório. E o assunto que envolve a educação hoje em dia sempre me preocupa. O grande problema é que aquilo que é novo para as crianças atualmente, também é novo para os pais, para os professores, para os médicos… ou seja, não temos respostas para várias questões que nos afligem e temos, mais do que nunca, usar o bom senso para resolver as principais questões envolvendo educação e autonomia das crianças e adolescentes.

Eu recebi uma educação familiar dentro de moldes muito tradicionais. Eu era cobrada em vários aspectos, mas tinha liberdade em muitos outros. Tinha um bom desempenho escolar e meus pais acompanhavam minhas notas; mas nunca precisaram sentar comigo para fazer os deveres de casa ou para estudar ou ler um livro, a menos que eu solicitasse. Eu precisava sempre dizer onde estava ou para onde ia, mas podia me deslocar a pé sozinha para a casa de amigos, para a escola, para minhas atividades extra curriculares ou para fazer compras no centro da cidade. Meus pais sabiam que eu tinha responsabilidade e me davam autonomia para lidar com aquilo que eu queria fazer.

E deu tudo certo. Sempre correspondi à confiança que eles depositavam em mim. Terminei o colégio como uma das melhores alunas, passei nas 3 faculdades de medicina que prestei, pude escolher onde estudar, tive uma boa formação profissional e pessoal.

Atualmente, sou eu que preciso aprender a confiar nos meus filhos. Entretanto, a dificuldade maior não é confiar nos filhos, mas no mundo que os cerca. E agora? Tudo é tão diferente… muito mais violento, com mais tipos de drogas; a Internet invade a privacidade e os expõe a um mundo sem limites, sem barreiras, seja para o bem ou para o mal. Como lidar com tudo isso?

A primeira coisa que não pode faltar nesta relação com os filhos é DIÁLOGO. O diálogo sempre foi essencial, mas hoje em dia, é ainda mais importante. Afinal, nós também estamos aprendendo. Não temos todas as verdades nem as certezas. Temos que conversar sobre a vida deles, opinar, entender o que eles vêem na Internet, compreender do que eles gostam e porque eles gostam de determinada coisa. Temos que perceber que eles têm uma opinião individual desde muito cedo na vida e são capazes de nos dizer o motivo de cada escolha ou de cada decisão. Podemos conversar, orientar, sentar junto, participar do mundo deles; mas não podemos impor uma opinião nossa como se fosse uma verdade absoluta em um mundo repleto de incertezas.

A segunda coisa extremamente importante é que temos que confiar neles e acreditar na capacidade deles de discernimento (desde que o diálogo esteja presente). Vejo pais de crianças de 12 ou 13 anos que as tratam como se tivessem 5 anos, achando que devem impor sua autoridade e limitar o acesso ao mundo virtual ou a outras coisas semelhantes. Se estes jovens forem orientados, eles são capazes, sim, de entender os riscos, os cuidados que devem ter, as limitações de tempo ou do momento de acessarem o que gostam. Por que não podemos dar este voto de confiança e a autonomia que eles tanto querem?

Sinto os pais perdidos. Eles enchem os filhos de presentes, não sabem negar os pedidos e as solicitações dos filhos. E, em meio a esta dificuldade de diálogo e de dar autonomia aos filhos (que vão, pouco a pouco deixando de ser crianças), acabam tentando passar todas as responsabilidades da educação e das decisões mais importantes para a escola.

As escolas também estão aprendendo a lidar com estas crianças expostas a muito mais informação, que falam de tudo, desde nanotecnologia até astronomia; buscam mudar os currículos engessados pelas normas do MEC para que os alunos se interessem pelo conteúdo tanto quanto pelo YouTuber do momento. E para isso, tentam incorporar a tecnologia, os Tablets, informação virtual, vídeos e outras formas de ensino; coisas que nós não tínhamos quando éramos alunos.

E os pais, perdidos, desorientados, receosos dessas mudanças, questionam as novidades que as escolas propõem e ainda desejam que a escola assuma a responsabilidade de dar as orientações sobre sexo, sobre perigos da Internet, sobre organização do tempo de estudo… sobre tudo aquilo que os pais têm medo de discutir com os filhos, porque não sabem como enfrentá-los e rebater os argumentos que eles, certamente, vão utilizar.

Nós não podemos nos esconder. Não podemos nos abster da responsabilidade que nos cabe. O papel principal de educar as crianças e adolescentes é dos pais e não das escolas.

É a partir do suporte que recebem em casa que eles serão indivíduos mais seguros, decididos, capazes de fazer escolhas boas ao longo da vida. Nós somos o exemplo, o espelho para o qual os filhos vão olhar. Somos nós que eles vêem quando acordam e quando vão dormir. A escola complementa. Mas a tarefa principal cabe a nós. E não podemos ter medo. Nos momentos de insegurança, não é demérito dizer a eles que não temos certeza. Podemos ponderar com eles os prós e contras de uma decisão.

É assim que a vida é e é desta forma que se constrói pessoas mais fortes para enfrentar o mundo atual.

 

Já escrevi sobre meus filhos em outras oportunidades. Tenho dois meninos, atualmente com 15 e 12 anos. Tenho sobrinhos e atendo outras crianças no consultório. E o assunto que envolve a educação hoje em dia sempre me preocupa. O grande problema é que aquilo que é novo para as crianças atualmente, também é novo para […]



30.10.2016

grupos-do-mundial-2016

 

Infelizmente, por falta de tempo, não tenho conseguido escrever tanto aqui na minha página. A maioria dos textos acaba sendo escrita com antecedência de 1 a 2 semanas e é publicada automaticamente com a data marcada. Não foi assim que eu idealizei, mas atualmente está difícil de fazer de outra forma.

Por conta disso, faz muito tempo que não escrevo sobre filhos. Acho que o mais gostoso sobre filhos é contar as novidades logo que elas acontecem. Então, hoje, resolvi separar meia hora da minha manhã para contar sobre o Mundial de LoL que foi ontem à noite. Meu Deus!!! Do que se trata isso???

Eu vejo meus filhos jogarem LoL (League of Legends) quase todos os dias. Para os não iniciados, vou explicar.

Primeiro, relembrando, tenho 2 meninos adolescentes, de 15 e 12 anos.

O LoL é um jogo online, que eles jogam pelo computador. São formadas equipes e eles se reúnem para jogar (cada um na sua casa e no seu computador). Uma equipe combate contra a outra e cada partida dura, em média, 40 minutos. Até aqui, não havia novidades para mim, já que os jogos virtuais, sejam no computador ou nos consoles de videogame ou no celular, fazem parte da vida deles.

Na semana passada, descobri que havia um Mundial de LoL e que a final aconteceria neste sábado (29 de Outubro). Este Mundial acontece todos os anos. Em 2016, a final aconteceu no Staples Center, em Los Angeles, onde reuniu mais de 15 mil pessoas para assistir à disputa ao vivo pelos telões… isso mesmo, mais de 15 mil pessoas! No ano passado, em Berlim, o número de pessoas conectadas para assistir à final foi de 334 milhões de pessoas no mundo (!!!) e superou a audiência da NBA.

 

Staples Center recebeu mais de 15 mil pessoas para a final. Mapa do jogo foi reproduzido no centro do palco (Foto: Divulgação / Riot)

Staples Center recebeu mais de 15 mil pessoas para a final. Mapa do jogo foi reproduzido no centro do palco (Foto: Divulgação / Riot)

 

Meu filho mais velho se reuniu com amigos na casa de um deles, desde às 20 horas, para assistir à transmissão pelo canal SporTV 3 (isso mesmo, foi televisionado). Meu caçula ficou em casa, assistindo pelo computador.

A final foi entre duas equipes sul coreanas: Sk Telecom versus Samsung Galaxy. A disputa teve início às 20 horas e seriam disputados de 3 a 5 confrontos, porque a vitória seria da equipe que ganhasse 3 batalhas. E foram necessários os 5 confrontos, com a vitória da equipe Sk Telecom, que conquistou o tricampeonato e levou para casa o Troféu do Invocador e mais de US$ 2 milhões.

Fui buscar o Gabriel na casa do amigo eram mais de 2 da madrugada e a disputa ainda estava na quarta batalha. Os dois terminaram de assistir aqui em casa. Não sei exatamente a que horas acabou, porque eu já estava dormindo. Não adiantava tentar acompanhar com eles, porque não conheço o jogo e os critérios de vitória.

Eu ainda vejo muitos pais criticando os jogos virtuais ou tentando impedir que os filhos tenham acesso. Eu sei que temos que educar, limitar o tempo, propor atividades diferentes. Mas não há uma forma de isolá-los do mundo e esta é a realidade em que eles vivem e viverão cada vez mais.

Meus filhos são meninos inteligentes, aplicados na escola, curiosos, interessados, responsáveis e muitas outras qualidades (sei que tem meu lado “mãe coruja” falando aqui). Eles discutem política, problemas do meio ambiente, sustentabilidade, participam da Feira de Ciências na escola e fazem trabalho voluntário. Nada foi imposto. Eles fazem as coisas porque gostam, porque se interessam. E, dentre todas as atividades do dia, também estão os jogos virtuais. E, na minha opinião, com moderação, eu acho que eles também são bons. Ajudam a desenvolver estratégias, a resolver problemas, a lidar com a derrota, a trabalhar em equipe (no caso do LoL), a melhorar a coordenação motora e os reflexos. Como tudo na vida, a questão central é a moderação. Ter um tempo para isso. Mas faz parte da vida deles e faz parte do mundo atual.

Não sou dona da verdade. E creio que muitas pessoas podem discordar da minha opinião. Eu gosto de passar minha experiência como mãe. Por enquanto, tem dado certo.

– Sílvia Souza

  Infelizmente, por falta de tempo, não tenho conseguido escrever tanto aqui na minha página. A maioria dos textos acaba sendo escrita com antecedência de 1 a 2 semanas e é publicada automaticamente com a data marcada. Não foi assim que eu idealizei, mas atualmente está difícil de fazer de outra forma. Por conta disso, […]



12.10.2016

“Connoisseurs of books (Knowledge is Power)” de Nikolay Bogdanov-Belsky

 

Não sei se pelo fato de ter sido uma criança tímida ou se por gosto mesmo, quando recordo da minha infância, vejo sempre a imagem dos livros que me acompanhavam nas férias e feriados. Quando tinha que pedir um presente para alguém, minhas sugestões eram livros.

Eu morava em uma cidade do interior, onde não havia livraria como temos hoje em dia. Não havia compras virtuais. Eu frequentava bibliotecas onde escolhia meus livros, emprestava de amigos e assinava uma revista do Clube do Livro, que me dava o direito de escolher um dos títulos da revista por mês. Não eram muitas opções diferentes. E eu me contentava com o que houvesse disponível, desde que eu tivesse uma história diferente na qual pudesse mergulhar.

Com meus 10 anos, descobri os livros da Agatha Christie, aos quais me viciei. Fui lendo todos eles ao longo da minha adolescência. E fui evoluindo nos meus gostos literários, de acordo com os momentos de vida, idade e interesses.

Quando meus filhos passaram a ler sozinho, seguiam as orientações da escola para as escolhas de livros. Mas chegou um momento em que percebi que eles estavam muito desinteressados das leituras indicadas. Muitas vezes, devolviam os livros da biblioteca da escola sem que tivessem lido.

Passei a observar que o problema principal eram as escolhas da escola, com livros que não eram capazes de envolvê-los na história narrada. Passei eu mesma a buscar alternativas. E tentei estratégias e tipos diferentes de livros, até que encontrasse o que pudesse desenvolver neles o gosto pela leitura.

Assinei gibis da Turma da Mônica. Foram infalíveis para estimular as primeiras leituras. As histórias curtas, com ilustrações e frases simples facilitavam bastante a compreensão e o treino inicial. Eles liam todos os gibis que eram lançados mensalmente.

Depois busquei histórias que contivessem ação, mas que fossem possíveis de serem lidas integralmente em pouco tempo. Na época em que meu filho mais velho chegava a essa fase, saiu uma série de livros do personagem Zac Power. Fui comprando na sequência e ele lia cada livro em 1 ou 2 horas.

Adotando essas estratégias, consegui com que fossem, pouco a pouco, aderindo à magia dos livros. Hoje em dia, eles sempre carregam um livro consigo, que eles mesmos escolhem de acordo com interesse, indicação de amigos, sugestão minha ou do pai, leitura de resenhas.

E, a meu pedido, fizeram uma lista dos livros de que mais gostaram até hoje.

Espero que, nesse Dia das Crianças, possamos não apenas presentear com brinquedos, mas tentar dar a eles outros conhecimentos, para que participem de outros mundos; mundos imaginados pelos escritores, mas que possam ser recriados mentalmente pelas crianças. Com isso, desenvolverão a criatividade, a linguagem, vocabulário, vivências, permitindo que se tornem pessoas melhores para construir um mundo com chance de futuro.

Segue a lista dos meus filhos:

– Sílvia Souza

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  Não sei se pelo fato de ter sido uma criança tímida ou se por gosto mesmo, quando recordo da minha infância, vejo sempre a imagem dos livros que me acompanhavam nas férias e feriados. Quando tinha que pedir um presente para alguém, minhas sugestões eram livros. Eu morava em uma cidade do interior, onde […]






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