13.11.2016

os_intimos

 

Primeira publicação: Abril de 2010

Editora: Alfaguara Brasil (2010) – 200 páginas

ISBN13: 9788579620317

Sinopse: Afonso, Augusto, Guilherme, Pedro e Filipe. Cinco amigos se reúnem num bar de Lisboa, em noite chuvosa, para um longo jantar. Na televisão, assistem a um jogo de futebol enquanto discutem, riem, e falam sobretudo de mulheres. Elas não estão à mesa; a única personagem feminina é Célia, filha do dono do estabelecimento, que conhece bem os hábitos daqueles cinco homens e os serve noite adentro. Mas as mulheres permeiam esse magistral romance de Inês Pedrosa. Elas também mostram sua voz, para contradizê-los, para os ajudar a relembrar amores passados e desilusões.

 

 

Uma das escritoras que mais admiro é a portuguesa Inês Pedrosa. Tenho todos os seus livros. Encomendo diretamente de Portugal cada novo lançamento que é anunciado. A escrita dela é de imensa sensibilidade, intimista e fala diretamente com a minha alma.

Com bastante frequência, identifico-me com as personagens dos livros, ao menos, parcialmente.

O último livro (“Desamparo”) está comprado, mas ainda não o li.

Inês Pedrosa nasceu em Coimbra, em 15 de Agosto de 1962. É licenciada em Comunicação Social pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou em vários jornais (“O Jornal”, “JL”, “O Independente”, “Expresso”) e revistas (“Marie Claire”, de que foi diretora durante 3 anos e “Ler”). Seu primeiro romance, “A Instrução dos Amantes”, foi publicado em 1992, e nele traçava as estratégias da vida adulta sobre um microcosmos de adolescentes suburbanos. Cinco anos mais tarde surgiu “Nas Tuas Mãos”, onde a autora nos leva a imaginar o Portugal das últimas décadas, através das emoções das três protagonistas, três mulheres (avó, mãe e filha) que cruzam destinos e memórias que atravessam o século XX.

Suas obras:

  • Desamparo (2015, romance)
  • Dentro de Ti Ver o Mar (2012, romance)
  • Os Íntimos (2010, romance; Prêmio Máxima de Literatura)
  • No Coração do Brasil — Seis Cartas de Viagem ao Padre António Vieira (2008, livro de viagens, com desenhos de João Queiroz)
  • A Eternidade e o Desejo (2007, romance; finalista do Prêmio PT 2009 e do Prêmio Correntes d’Escritas 2010)
  • Do Grande e do Pequeno Amor (2006, novela fotográfica, com Jorge Colombo)
  • Carta a Uma Amiga (2005, novela fotográfica, com Maria Irene Crespo)
  • Crónica Feminina (2005, crônicas)
  • Anos Luz: Trinta Conversas para Celebrar o 25 de Abril (2004, entrevistas)
  • Fica Comigo Esta Noite (2003, contos)
  • A Menina Que Roubava Gargalhadas (2002, infantil, com desenhos de Júlio Pomar)
  • Fazes-me Falta (2002, romance)
  • 20 Mulheres para o Século XX (2000, ensaio biográfico)
  • José Cardoso Pires: Fotobiografia (1999, fotobiografia)
  • Nas Tuas Mãos (1997, romance; Prêmio Máxima de Literatura)
  • A Instrução dos Amantes (1992, romance)
  • Mais Ninguém Tem (1991, infantil, com ilustrações de Jorge Colombo)

Abaixo, alguns trechos de “Os íntimos” que mais me tocaram:

Parecia-lhe impossível um silêncio assim – sem arestas nem constrangimentos, o silêncio de dois seres que já não precisam de falar para se sentirem juntos, que já não precisam de se tocar para se saberem envolvidos um com o outro até o fim da vida. O silêncio do amor – sem gargalhadas nem gritos, sem culpas nem explicações, sem embaraços nem exercícios de sedução.

O amor é eterno como as estrelas. Não sabemos nada das estrelas, como nada sabemos do amor. Muitas vezes encontramos no brilho distante de uma estrela a coragem necessária para atravessar noites de excessiva treva. Sussurramos desejos às estrelas cadentes e confiamos as lágrimas à beleza de um céu estrelado. Precisamos de tristeza para aprender a olhar para o céu.

Temos o privilégio de nos sabermos mortais.

As nossas vidas seriam muito diferentes, se acordássemos para cada dia como se fosse o único.

Quantas horas ocupamos a complicar as vidas dos outros, em vez de simplificarmos a nossa?

A tese das almas gêmeas é uma fraude, mas é verdade que há uma pequena percentagem de corpos incompatíveis, uma alta percentagem de corpos compatíveis e uma minoria de corpos feitos um para o outro. Quando se tem a sorte de encontrar esse corpo que se funde no nosso como o mar com o horizonte num dia de Verão, isso é a felicidade. Nem o amor nem o sexo servem para definir essa fusão. Trata-se de um fenômeno mais simples e mais complexo, assustador pela sua grandeza.

As mulheres amam sempre mais aqueles que menos as amam. Nisso, são iguais aos homens.

Não nos entregamos para não sofrer. Que graça tem essa vida sem entrega?

Tu és minha casa, contigo eu sou livre.

Inês Pedrosa em “Os íntimos”

 

 

 

 

 

 

 

 

– Sílvia Souza

  Primeira publicação: Abril de 2010 Editora: Alfaguara Brasil (2010) – 200 páginas ISBN13: 9788579620317 Sinopse: Afonso, Augusto, Guilherme, Pedro e Filipe. Cinco amigos se reúnem num bar de Lisboa, em noite chuvosa, para um longo jantar. Na televisão, assistem a um jogo de futebol enquanto discutem, riem, e falam sobretudo de mulheres. Elas não estão à mesa; a única […]



6.11.2016

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Primeira Publicação: Julho de 2013

Editora: L&PM

ISBN13: 9788525429308

Resenha: Passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que o mundo está uma doidice sem tamanho não é preciso dizer. Que estamos cada vez trabalhando mais, ficando mais tempo no celular e no trânsito, nem se fala. Então como sobreviver, ou melhor, como viver em meio a este caos que se transformou a nossa vida? Para Martha Medeiros, a grande questão é se desapegar daquilo que é desnecessário, que nos faz mal, que nos atrasa, e enxergar a graça da coisa – sendo a ‘coisa’, no caso, a própria vida. É deixar ideias pré-concebidas de lado, saber rir de si mesmo, se reinventar; estar aberto para encontrar o amor onde menos se espera, é transformar a ansiedade em sabedoria, é saber ouvir, é um conjunto de pequenas atitudes que, se colocadas em prática, vão nos ajudar a levar uma vida mais desestressada e, de quebra, nos surpreender. Reverenciando a tradição da crônica brasileira, Martha Medeiros fala cara a cara com o leitor, mostrando que não estamos sozinhos nas nossas neuroses diárias. Esta coletânea de oitenta textos que abordam os temas mais caros à autora – o amor, o cinema, os relacionamentos, as relações familiares, entre muitos outros – traz, sem dúvida, alguns dos assuntos sobre os quais mais nos indagamos hoje em dia – um prato cheio para o autoconhecimento.

 

 

Estou aproveitando esta publicação que escrevi em 26 de Maio de 2014, quando li este livro de Martha Medeiros, para falar um pouco mais da escritora. Seus livros tiveram um papel importante em um momento crucial da minha vida, porque fizeram com que eu repensasse muitas coisas que não iam bem e tomasse coragem de dar o primeiro passo para uma mudança de direção.

Acredito que naquela época (por volta de 2010), se eu tivesse procurado ler um livro de Filosofia ou qualquer obra mais densa, provavelmente não teria sentido o mesmo tipo de identificação. Isso porque eu estava tão confusa com tudo que eu não conseguia me concentrar em leituras complexas nem manter o foco no que quer que fosse.

Meu primeiro contato com a escritora foi através de uma entrevista que li em uma revista feminina. O nome ficou na minha memória, mas não busquei nenhuma das suas publicações. Pouco tempo depois, assisti ao filme Divã e me identifiquei muito com a personagem Mercedes, vivida por Lilia Cabral. Soube que era baseado em um livro, que eu, rapidinho, comprei para ler; e Martha Medeiros surgiu e ocupou seu papel naquela fase.

Adorei o livro; ainda mais do que o filme. E busquei todos os livros que encontrei para comprar… TODOS!

Martha Medeiros nasceu em Porto Alegre em 20 de agosto de 1961 e é formada em Comunicação Social. Como poeta, publicou os seguintes livros: Strip Tease (Brasiliense, 1985), Meia-Noite e Um Quarto (L&PM, 1987), Persona Non Grata (L&PM, 1991), De Cara Lavada (L&PM, 1995), Poesia Reunida (L&PM, 1999) e Cartas Extraviadas e Outros Poemas (L&PM, 2001). Em maio de 1995 lançou seu primeiro livro de crônicas, Geração Bivolt (Artes & Ofícios), onde reuniu artigos publicados em Zero Hora e textos inéditos. Em 1996 lançou o guia Santiago do Chile, Crônicas e Dicas de Viagem, fruto dos oito meses em que viveu na capital chilena. Seu segundo livro de crônicas, Topless (L&PM, 1997), ganhou o Prêmio Açorianos de Literatura. É autora dos best-sellers Trem-Bala, Doidas e santas, Feliz por nada Divã (que já vendeu mais de 50.000 exemplares).

Mas eu mudei muito ao longo desses anos. E acho que os textos da Martha Medeiros colaboraram para essa mudança. Percebo que sou outra mulher, muito mais madura, mais focada, mais decidida, e dei um rumo completamente diferente à minha vida.

Naquela época, os escritos de Martha Medeiros eram exatamente o que eu precisava ler. Eu me identificava completamente. Mas hoje em dia, os novos livros publicados já não me comovem mais. Talvez eu tenha me tornado uma pessoa mais complexa; alguém cujas emoções mais profundas já não podem mais ser descritas no atacado, como se fossem as mesmas de todas as outras mulheres do mundo.

Deixei de comprar os novos lançamentos. Este foi o último. Mas ela foi essencial. Seus textos foram essenciais. E recomendo a todos que possam estar confusos, em especial as mulheres, naquela fase da vida em que parece que nada consegue nos satisfazer completamente.

Uma de suas crônicas:

Casamento, Lado A e Lado B

Casamento é um assunto que sempre seduz, por dois motivos muito simples: porque casamento é ótimo e porque casamento é péssimo, e são justamente esses dois lados da moeda que atraem tanto as pessoas.

Casamento é ótimo porque nos sentimos amados, seguros, porque ganhamos status social, porque temos sexo á hora que bem entendermos (em tese), porque temos filhos, porque temos companhia para viajar, porque não precisamos fingir ser o que não somos, porque na hora de ir ao cinema um estaciona o carro enquanto o outro vai para a fila da bilheteria e, principalmente, porque ninguém consegue devorar uma pizza sozinho. Casamento é matemática: podemos dividir, somar, multiplicar e subtrair. É aí, na subtração, que o casamento pode ser uma chatice.

Casamento é chato porque você vai passar o resto da vida transando com a mesma pessoa (em tese), porque o fantasma da rotina paira sobre nossas cabeças, porque passamos a ter mais responsabilidades e isso impede de jogarmos tudo para o alto e ir estudar teatro em Nova York, porque a solidão, afinal de contas, até que não é má companhia e as pizzarias, quem diria, já entregam pizza brotinho.

Ainda assim, com seu lado bom e seu lado ruim, acho que a geração que está casando agora tem mais chances de ser feliz do que tiveram os casais que estão comemorando bodas de outro. Os casamentos atuais estão deixando, aos poucos, de ser um contrato formal e estão se transformando em ritos de passagem mais espontâneos e emocionais. Hoje se casa mais por amor do que antigamente, e o número crescente de divórcios não me desmente, ao contrário, reforça a minha crença, por mais contraditório que isso possa parecer. Antes as pessoas casavam porque era uma tradição inquestionável, e não raro os próprios pais escolhiam os noivos para seus filhos: o coração não era convocado a depor. Assim sendo, todo casamento dava certo dentro de um molde errado, e ninguém se separava. Arranjava-se um amante e seguia-se em frente. Hoje as separações aumentaram porque ninguém mais suporta a ideia de não ser feliz. Porque ninguém quer saber de viver de mentirinha. Porque tempo passou a ser artigo de luxo e não pode ser desperdiçado. Se o casamento foi bom durante cinco, dez anos, e agora não é mais, boa-noite, amor. A vida está chamando lá fora. O casamento não está em desuso. O que está em desuso é a hipocrisia.

O fato de a mulher entrar no mercado de trabalho e ganhar seu próprio dinheiro também ajudou os novos casais: tirou do marido o papel de pai e patrão e o transformou no que ele é de fato, um homem para se compartilhar a vida, não alguém a quem devemos nossa sobrevivência e, por causa disso, obediência. A atriz Lizandra Souto, que uma época levantou a bandeira da virgindade, casou e virou capa de revista por conta do seu mais novo personagem: a Amélia dos anos 90. Abandonou a carreira de atriz para brincar de casinha. É um direito que lhe assiste, mas não acho legal quando divulgam essa decisão como uma volta aos velhos bons tempos. Ninguém disse que seria fácil trabalhar fora, cuidar da casa e dos filhos, mas é o preço a pagar pela nossa independência. Casamento não é emprego.

O que é casamento, então? Uma experiência que pode ser doce e cruel, eterna e passageira, bem-humorada e maquiavélica, tudo ao mesmo tempo. Como o mar, está sujeito a calmarias e tempestades. Como um disco, tem faixas ótimas e outras nem tanto. Como tudo na vida, é preciso experimentar, nem que seja para não gostar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  Primeira Publicação: Julho de 2013 Editora: L&PM ISBN13: 9788525429308 Resenha: Passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que o mundo está uma doidice sem tamanho não é preciso dizer. Que estamos cada vez trabalhando mais, ficando mais tempo no celular e no trânsito, nem se fala. Então como sobreviver, ou melhor, como viver em […]


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30.07.2016

Livros 3

 

Meu amigo Carlos Moya do Blog La Estaca Clavada indicou-me para um tipo de desafio em que devo, por 3 dias consecutivos, publicar 3 frases e indicar 3 blogs. Obrigada, Carlos, por ter se lembrado de mim!

Hoje é o terceiro e último dia…

 

Sim, era melhor dirigir por si mesmo e com isso ficar reduzido a cacos do que ser sempre conduzido e dirigido pelos outros.

– Hermann Hesse

 

A memória é uma armadilha, pura e simples, que altera, e sutilmente reorganiza o passado, por forma a encaixar-se no presente.

– Mario Vargas Llosa

 

O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada evento influencia todos os outros.

– Alvin Tofller

 

Indico os blogs:

  1. Blog Since 85
  2. Pro seu dia ficar melhor
  3. Queridos livros & Tatianices

 

– Sílvia Souza

Rosa

  Meu amigo Carlos Moya do Blog La Estaca Clavada indicou-me para um tipo de desafio em que devo, por 3 dias consecutivos, publicar 3 frases e indicar 3 blogs. Obrigada, Carlos, por ter se lembrado de mim! Hoje é o terceiro e último dia…   Sim, era melhor dirigir por si mesmo e com […]






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