25.07.2016

Minhas Duas Meninas

 

Primeira Publicação: Junho de 2016 – 174 páginas

Editora: Companhia das Letras

ISBN13: 9788535927467

Sinopse: Após quase uma década no purgatório da infertilidade, a jornalista Teté Ribeiro tomou uma decisão ousada: ter filhos por meio de uma barriga de aluguel na Índia. ‘Minhas Duas Meninas’ é o relato de seu périplo até essa decisão – e dos detalhes que marcaram essa experiência. A relação com a mãe indiana, o dia a dia logo após o nascimento das gêmeas, as particularidades da clínica que realiza o procedimento, os dilemas de ser mãe sem passar pela experiência de dar à luz. Tudo isso está neste relato comovente. Em parte livro de memórias, em parte retrato de geração, e também reportagem exemplar, ‘Minhas Duas Meninas’ é uma radiografia dos dilemas da mulher contemporânea.

 

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A vida da gente é repleta de boas coincidências e coisas inexplicáveis que nos acontecem.

Conheci a Teté Ribeiro há cerca de 2 meses. E pouco tempo depois, fiquei sabendo sobre o lançamento do seu livro. Acho que pelo fato de eu ser tão apaixonada por livros e admirar as pessoas que se dedicam a colocar uma ideia em palavras e criar algo que poderá ser apreciado por tantas outras pessoas, acabei me sentindo muito honrada de conhecer uma jornalista como ela que estava lançando mais um livro, dessa vez contando um pouco da própria vida e da experiência de contratar uma barriga de aluguel na Índia.

O livro de 174 páginas prende o leitor e não dá vontade de interromper a leitura antes que esta chegue ao final. Em especial, porque ela misturou sua história atual a fatos do passado e a questões históricas e sociais da Índia, país onde suas filhas nasceram.

O livro está dividido em 12 capítulos:

1. Crianças um pouquinho nascidas

Assim que as portas automáticas se abrem, os panos começam a se mexer. São pessoas, centenas, que estavam agachadas ou dormindo no chão, bem juntinhas, imagino que para espantar o frio – faz dezoito graus na rua, temperatura muito baixa para o país. Agora, acordadas, elas colam a cara no vidro tentando reconhecer quem vieram encontrar. Será que um deles é o sr. Uday, procurando adivinhar quem eu sou? No país todo, o acesso ao aeroporto só é permitido a quem tem cartão de embarque; familiares e amigos dos passageiros ficam do lado de fora.

 

2. “Paciência, Ribeiro, paciência”

A próxima parada foi uma feira de verduras, legumes e temperos. Os produtos eram acomodados no chão, em sacos imensos de estopa. Os vendedores abordavam os clientes, encorajando-os a apertar os vegetais para mostrar que eram frescos.

 

3. Sempre sem pressa

Ter um bebê é uma ideia que passa pela cabeça de quase toda mulher. Com mais ou menos vontade, com mais ou menos repulsa. A hora certa, para as que decidem fazer isso, não é uma ciência. E a vontade de ser mãe não obedece a nenhuma contagem de óvulos.

 

4. Times of India

No hotel, em todos os quartos, há sempre duas garrafas de água com uma etiqueta onde está escrito “filtrada e fervida”. É a que usamos para escovar os dentes e lavar o rosto no começo da estada. Para beber, sempre mineral, uma água ótima, aliás, que eu nunca tinha visto, chamada Aãva. Segundo o rótulo, ganhou o prêmio de melhor água engarrafada de 2007. Vem das montanhas sagradas de Taranga, no estado de Gujarat, e é filtrada naturalmente pelas várias camadas de argila que atravessa até chegar às reservas abaixo do solo. Para o banho, não tem jeito, é água do chuveiro e boca bem fechada. Isso para os adultos.

 

5. Vanita e Sandip

O sr. Uday me conta que não existe, na prática, um salário mínimo. Cada empregador paga o que quer, e exige o que bem entender. Assim, quem estiver disposto a mais horas de trabalho e menos horas de descanso, ou aceitar a menor remuneração, fica com o emprego. Moços como Sandip e moças como Vanita costumam trabalhar doze horas por dia, todos os dias, quando têm a sorte de conseguir um emprego. Mas eles têm um filho, e ninguém que os ajude a criá-lo.

 

6. Hora de desistir

Desde que comecei essas tentativas ultratecnológicas, foram muitas as alterações de humor, causadas tanto pela ansiedade quanto pelos hormônios injetados, engolidos em forma de pílulas ou colados na pele, e outras violências do tipo.

 

7. “The babies are fine”

A clínica do casal Patel é a mais conhecida da Índia: a médica já foi entrevistada na TV pela apresentadora norte-americana Oprah Winfrey e apareceu com destaque numa reportagem da revista Forbes. 

 

8. Arranjado ou por amor

O casamento entre pessoas da mesma família é proibido, e muito complicado entre pessoas de castas diferentes. É difícil fazer com que a família de casta mais alta aceite os modos da família de casta mais baixa. E as brigas entre famílias, ou, mais especificamente, entre sogras e noras, são comuns e chegam muitas vezes à violência física. E até à morte. Existe inclusive um termo em inglês para isso, que os jornais e artigos de estudiosos usam desde os anos 1970, “bride burning”, ou “queima de noivas”.

Para disfarçar o assassinato de uma nora que não se entende com a sogra, ou de uma noiva cuja família não dá o dote que o marido exige, o crime é feito de maneira que pareça um acidente no fogão. Um estudo de 2009, divulgado pela revista científica britânica The Lancet, afirma que a cada ano 100 mil mulheres indianas morrem queimadas, encharcadas de querosene, no país. A grande maioria delas está nos primeiros anos de casamento e tem entre quinze e 34 anos.

 

9. Reencontro

Essa é uma cena comum nas ruas do país e com a qual já deixei de me chocar – crianças em motos, sem capacete, ensanduichadas entre os pais, na frente, perto do tanque de gasolina ou mesmo “de cavalinho”.

 

10. Casa das grávidas

11. “Não se preocupe com as vacas”

12. Aptas para voar

 

A história não é narrada de forma linear; e isso me encanta muito. A Teté Ribeiro conta bastante sobre sua vida, experiências, lugares onde morou e um pouco sobre sua família. Mesclada a essa trajetória, ela relata a experiência de contratar uma barriga de aluguel na Índia: como levou os embriões, como foi o processo, a clínica onde ficam as mulheres que geram filhos de outros casais, como são os cuidados na gravidez e quando o(s) bebê(s) nasce(m).

E ainda nos presenteia com inúmeros detalhes sobre a sociedade indiana; coisas que não lemos habitualmente em jornais e que eu desconhecia completamente. Os trechos do livro que eu selecionei acima são alguns pequenos detalhes dos costumes indianos narrados no livro.

É uma leitura ágil, agradável, que encanta e emociona. Não é fácil essa batalha para engravidar. Antes de chegar à barriga de aluguel, foram muitas tentativas de fertilização, desgastes emocionais, tristezas e frustrações. Vejo como muito corajosa a atitude da Teté Ribeiro e de seu marido ao partirem para algo como essa barriga de aluguel em um país tão distante.

E ela trata tudo isso no livro como quem está narrando para uma amiga, de um jeito informal e interessante. Adorei a leitura!

 

 

 

– Sílvia Souza

 

 

  Primeira Publicação: Junho de 2016 – 174 páginas Editora: Companhia das Letras ISBN13: 9788535927467 Sinopse: Após quase uma década no purgatório da infertilidade, a jornalista Teté Ribeiro tomou uma decisão ousada: ter filhos por meio de uma barriga de aluguel na Índia. ‘Minhas Duas Meninas’ é o relato de seu périplo até essa decisão – e dos detalhes […]


  • Leandro Tissiano

    Comovente, sensível e realístico. Muito bom! Parabéns pela análise e pelo canal no Youtube. Abraço!

  • Artur Laizo

    Muito comovente. Parabéns.

  • Olá Sílvia acho que a decisão de ser mãe por este meio deve ser adotada com grande coragem. E o choque cultural de alguém com educação ocidental assustador. Acostumados como estamos a proteger os nossos filhos e sempre buscar o melhor para eles de repente para enfrentar a situação de pobreza generalizada e da segregação social que impõe o sistema de castas. Eu acho que o mesmo impacto sofreria um turista Inglês ou americano visita da Espanha em meados do século passado. Um beijo.

    • Não há dúvida de que essa foi uma decisão muito corajosa. E, ao longo do livro, percebemos que muitas questões e dúvidas vieram ao longo do processo. Nem sempre é fácil pensar em tudo desde o começo.
      Um beijo!


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