28.05.2016

premio_scarletmoonlogo

 

Meu querido amigo Cláudio El-Jabel do Blog UNOBTAINIUM indicou-me para responder a essa TAG. Eu já a respondi em 2 ocasiões: Scarlet Moon Blogger Award em 21/10/2015 e TAG Scarlet Moon Blogger Award em 06/11/2015. Mas não poderia deixar de responder à indicação do Cláudio, que é uma pessoa muito querida e que se tornou um grande amigo, uma pessoa por quem nutro um grande amor e admiração.

Vou responder às mesmas perguntas que o Cláudio respondeu. Seguem as respostas:

1 – Qual a sua maior qualidade?

Sou uma pessoa muito crítica e, como tal, não tenho grande facilidade de falar sobre as minhas qualidades. Mas creio que minha maior qualidade seja a honestidade. Tenho dificuldade para mentir. Busco ser sincera, transparente nas minhas relações. E, com isso, vem enorme sofrimento, porque vivemos em um mundo de hipócritas, onde as pessoas que mentem e enganam são aquelas que se dão bem.

 

2 – Como lida com a solidão? Fez ou faz parte da sua vida?

Sou uma pessoa essencialmente solitária. Mesmo quando estou cercada por pessoas, sinto-me extremamente sozinha. Tenho receio de me expor ao extremo, porque, normalmente, acabo me magoando. Não falo todos os meus pensamentos, porque a maioria das pessoas não compreende. Então, sinto-me só no meu mundo particular. Talvez os únicos momentos em que não me sinta sozinha são aqueles em que estou com meus filhos, porque com eles posso ser transparente e sei que eles me conhecem e me entendem dentro das limitações das idades e das vivências dos dois.

 

3 – Já abriu mão de algum sonho?

Inúmeros. A vida é feita de escolhas e nem todas elas são compatíveis. Meus filhos são as maiores alegrias da minha vida. Mas ter filhos implica em abrir mão de muitas coisas. Precisamos ter mais responsabilidade, correr menos riscos, tomar decisões mais seguras e ponderadas. Há inúmeras almas guardadas em mim que nunca poderão se manifestar, que terão que ficar mudas e aprisionadas até o fim dos meus dias.

– Sílvia Souza

Sonnenblume_02_KMJ

  Meu querido amigo Cláudio El-Jabel do Blog UNOBTAINIUM indicou-me para responder a essa TAG. Eu já a respondi em 2 ocasiões: Scarlet Moon Blogger Award em 21/10/2015 e TAG Scarlet Moon Blogger Award em 06/11/2015. Mas não poderia deixar de responder à indicação do Cláudio, que é uma pessoa muito querida e que se tornou um grande amigo, uma pessoa […]




28.05.2016

“Baby” de Gustav Klimt (1918)

 

Em quase todas as madrugadas, ela acordava chorando. Punha-se de pé, apoiada nas barras, e tentava chamar a atenção de alguém com seu pranto angustiado. Tinha medo da escuridão. Seu soluço ia crescendo pouco a pouco, ao perceber que estava sozinha e que ninguém viria em seu socorro. O choro se transformava em gritos desesperados que faziam com que ela perdesse o fôlego e engasgasse com as lágrimas.

Ninguém sabe ao certo quais são os pesadelos que assombram uma criança; em especial uma criança que ainda não sabe falar e se expressar.

Talvez fosse uma amplificação do abandono ao qual ficava entregue durante os dias, enquanto seus pais trabalhavam e ela era colocada quieta em um canto, até que o serviço de casa fosse feito pela empregada.

Ou quem sabe voltassem, no meio da noite, os gritos de irritação da moça (que supostamente deveria cuidar dela) nos momentos em que a menina pedia atenção ou chorava de dor ou de fome.

Podia ser o medo das ameaças violentas; o pavor das refeições, quando a comida era enfiada pela sua boca com impaciência; o pânico das trocas de fraldas, quando mãos ríspidas e agressivas apertavam suas pequenas perninhas e limpavam com raiva suas partes íntimas ainda inocentes.

Ela tinha medo de ficar sozinha e tinha medo de ter alguém ao seu lado. Temia fazer qualquer coisa que pudesse desencadear alguma resposta violenta e hostil.

A única coisa que a alegrava eram os poucos momentos em que escutava as músicas dos disquinhos coloridos que giravam na vitrola, em uma mágica que a hipnotizava.

No restante do tempo, ela tinha medo. Sempre aquele terror que fazia com que seu pequeno coraçãozinho acelerasse sem motivo e com que ela procurasse sempre agradar, num desespero de receber um abraço e um carinho.

E, nas longas noites, ela acordava. Sufocada. Quase sem conseguir respirar. Angustiada. Desesperada com os pesadelos que ela jamais conseguiria contar para ninguém. Sonhos que não permaneceriam na lembrança, mas cujas sensações jamais seriam esquecidas.

Em algumas noites, era assim: um choro desesperado para ninguém. Ela se punha de pé no berço, presa pelas grades à prova de acidentes. Mas o acidente estava ali, preso com ela dentro das grades. Era a solidão dos soluços sem resposta, da escuridão assustadora que a assombrava com suas sombras indefinidas e desconhecidas.

Ela apenas queria ser retirada de lá, abraçada, acalentada. Queria que alguém a pegasse no colo, para que ela pudesse escutar o som cadenciado e calmante de um batimento cardíaco.

Mas, em algumas noites, não havia resposta. Ela se percebia só, abandonada, desesperada, engasgando com as próprias lágrimas, até que a exaustão chegasse e ela, finalmente, conseguisse adormecer de novo, talvez embalada pelo toque do anjo protetor dos inocentes.

– Sílvia Souza

Sonnenblume_02_KMJ

  Em quase todas as madrugadas, ela acordava chorando. Punha-se de pé, apoiada nas barras, e tentava chamar a atenção de alguém com seu pranto angustiado. Tinha medo da escuridão. Seu soluço ia crescendo pouco a pouco, ao perceber que estava sozinha e que ninguém viria em seu socorro. O choro se transformava em gritos […]




28.05.2016
Convento de Cristo, Tomar, Portugal

Convento de Cristo, Tomar, Portugal

 

Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge.
Mas finge sem fingimento.
Nada ‘speres que em ti já não exista,
Cada um consigo é triste.
Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas,
Sorte se a sorte é dada.

Ricardo Reis. Fernando Pessoa.

  Estás só. Ninguém o sabe. Cala e finge. Mas finge sem fingimento. Nada ‘speres que em ti já não exista, Cada um consigo é triste. Tens sol se há sol, ramos se ramos buscas, Sorte se a sorte é dada. Ricardo Reis. Fernando Pessoa.







%d blogueiros gostam disto:
DESIGN POR JESS